Já perdi a conta de quantas vezes vi pequenas equipes de vendas tentando se virar como dá: cada um com sua planilha (bem bagunçada), algumas mensagens no WhatsApp e, às vezes, nem relatório existe para se basear. Nesse contexto, muitas empresas pequenas até pensam em colocar duas pessoas para venderem juntas, formando a chamada venda em dupla. Mas será que funciona para todo mundo? E, principalmente: onde a venda em dupla ajuda, e onde pode atrapalhar?

Como funciona a venda em dupla

Na venda em dupla, dois vendedores trabalham no mesmo negócio, dividindo as etapas de abordagem, negociação e fechamento. Um pode ficar mais focado nas relações, enquanto o outro, nas soluções técnicas ou na sustentação dos argumentos. É como se fossem dois lados da mesma moeda, complementando as forças e compensando as falhas individuais.

Venda em dupla é parceria de verdade, não revezamento solto.

Esse modelo é mais comum em negócios com vendas consultivas, onde o cliente precisa de acompanhamento próximo ou de soluções personalizadas. Mas também vejo equipes pequenas, especialmente as que usam DeepCRM, adaptando o método para manter organização e não perder venda só porque alguém esqueceu do retorno.

Principais vantagens: por que pensar em dupla?

Quando penso nos principais pontos positivos, três são os que mais saltam aos olhos:

Já vi, por exemplo, empresas familiares de porte pequeno crescerem e treinarem seus filhos para vendas assim, sempre em duplas. O resultado? O cliente sente-se valorizado e menos perdido na negociação, porque sempre há quem retome a conversa. Isso é muito importante nos setores que demandam muitos contatos ao longo do processo. Afinal, 80% das vendas exigem pelo menos 5 contatos ou retornos.

Quando pode atrapalhar (e muito)?

É preciso cautela antes de pensar que vender em dupla é solução mágica. Já presenciei algumas situações em PMEs brasileiras que deixam qualquer gestor preocupado:

Dois vendedores sentados juntos em uma mesa de escritório, analisando documentos de vendas lado a lado

Pequenas equipes, principalmente as familiares ou compostas por amigos, precisam conversar abertamente sobre os papéis de cada um. Senão, vira aquele clássico: “Achei que você ia falar com o cliente!”, “Achei que já tinham resolvido!”. E lá se vai a venda por falta de alinhamento.

O papel da organização (e tecnologia simples) na venda em dupla

Já citei antes, mas não canso de repetir: organização é o que separa negócios promissores daqueles que vivem apagando incêndio. Em vendas em dupla, isso é ainda mais evidente. Se ambos não têm clareza do que foi conversado, do que cada um resolveu, quem vai dar o próximo retorno ou apresentar a proposta, começarão os conflitos. E o cliente percebe a bagunça!

No meu dia a dia, sempre sugiro que equipes pequenas adotem ferramentas que não compliquem, mas realmente mostrem tudo o que precisa: histórico de conversas, próximos retornos, lista de negócios aberta. Um CRM como o DeepCRM, voltado para a realidade das PMEs brasileiras, resolve exatamente essas dores, seja organizando a agenda de retornos conjuntos ou registrando cada detalhe das conversas no WhatsApp, que é onde, de fato, muito negócio acontece.

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Aliás, a simplicidade é o que faz com que, segundo dados recentes, as vendas de micro e pequenas empresas brasileiras pelo comércio eletrônico tenham crescido 1.200% desde 2019. Ferramentas simples, tecnologia alinhada à rotina, e fuga da planilha desorganizada são as tendências que surgem desse crescimento.

Como saber se a venda em dupla é para sua equipe?

Eu costumo dizer que não existe resposta única. Mas alguns aspectos ajudam o pequeno empreendedor a decidir:

Se ao menos três dessas perguntas são respondidas com “sim”, talvez valha o teste. No caso das pequenas empresas de Santa Catarina, por exemplo, um recente aumento de vendas mostra que equipes pequenas precisam criar estratégias para lidar com o aumento de oportunidades; e formar duplas pode ser uma dessas estratégias.

Dicas para fazer dar certo na prática

Já acompanhei dezenas de times migrando da bagunça total para vendas em dupla bem estruturadas. Com base nessa vivência, compartilho algumas dicas que realmente fazem diferença:

Se estiver começando agora, recomendo estudar algumas técnicas de vendas adaptadas para pequenas e médias empresas, pois a abordagem consultiva ganha mais força quando duas cabeças pensam juntas.

Treinamento e liderança: dois pilares chave

Nenhuma dupla funciona se o time não está treinado e bem liderado. O treinamento deve considerar tanto habilidades de comunicação quanto gestão de processos (e agenda!). Um simples treinamento sobre como dividir tarefas já diminui confusões no início da adoção desse modelo.

No site do DeepCRM, há dicas sobre como treinar sua equipe de vendas mesmo com pouco tempo e recurso, além de links sobre como usar liderança para impulsionar resultados. Liderança próxima, especialmente em grupos pequenos, faz toda a diferença.

Além disso, a experiência tem mostrado que mentorias em grupo costumam acelerar o desenvolvimento coletivo, principalmente durante a implementação de mudanças como as vendas em dupla.

Quando evitar a venda em dupla?

Apesar das vantagens, nem todo negócio se encaixa. Se a demanda é pequena, o ciclo de vendas é curtíssimo, ou o perfil dos vendedores tende ao conflito constante, a dupla pode ser mais um problema que solução. E atenção: não tente “forçar” o modelo se a sua empresa não consegue organizar nem os processos básicos ainda. Isso só aumenta a confusão.

Uma alternativa, para quem vive “refém” das planilhas, é começar organizando o básico: histórico, retornos e tarefas. Esse movimento já pode gerar um grande salto em vendas, como mostra o artigo sobre como sair da planilha e profissionalizar o marketing e as vendas mesmo sem grandes investimentos.

Conclusão

Em minha experiência, o modelo de vendas em dupla traz resultados reais para pequenas e médias empresas, principalmente quando há organização, comunicação aberta e uso de tecnologia acessível, como o DeepCRM. Já vi equipes pequenas aumentarem o número de vendas apenas pelo simples fato de não deixarem mais clientes esquecidos por falta de retorno, além de conseguirem abordar negociações mais desafiadoras.

Não existe fórmula pronta, mas para quem lidera equipes enxutas e quer sair do improviso, testar vendas em dupla é, muitas vezes, o passo mais simples e de maior impacto. Se você sente que sua equipe está pronta para avançar, recomendo experimentar essa estratégia junto às dicas que compartilhei aqui. E, se precisar organizar o time de verdade e não depender mais da sorte (ou da memória), conheça o DeepCRM, a solução prática para as PMEs brasileiras.

Perguntas frequentes sobre vendas em dupla

O que é venda em dupla?

Venda em dupla é quando dois vendedores atuam juntos no mesmo processo comercial, dividindo tarefas, abordagens e acompanhamentos até o fechamento. Essa estratégia pode envolver divisão por etapa (um faz a prospecção, outro a negociação) ou por perfil de cliente.

Quais as vantagens da venda em dupla?

Os principais benefícios são troca de experiência, menos risco de esquecer clientes, abordagem mais personalizada e aceleração do aprendizado (um aprende com o outro). Além disso, o cliente sente mais atenção e confiança no processo, principalmente em ciclos de venda longos.

Quais os desafios para equipes pequenas?

O desafio está em manter a harmonia e a divisão clara de tarefas. Se não houver regras, podem surgir conflitos de interesse, desencontros na comunicação com o cliente e até custos duplicados. É fundamental estabelecer papéis, critérios de comissão e registrar todas as interações.

Como montar uma equipe de vendas dupla?

Defina os papéis de cada um, combine a divisão da comissão desde o início e faça reuniões periódicas para ajustar o funcionamento. Invista em treinamento para melhorar habilidades de negociação e comunicação, e utilize ferramentas simples para organizar o trabalho em conjunto.

Vale a pena adotar vendas em dupla?

Para muitos negócios pequenos, vale o teste! Se a venda for complexa, o ticket alto ou o ciclo demorado, a dupla compensa e pode render bons resultados. Se perceber que há muita disputa interna ou o processo ficar confuso, talvez não seja o momento ainda. O ideal é começar de forma simples e aos poucos ajustar a rotina para que a dupla venha somar.

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Everton Gonçalves

Everton Gonçalves

Everton Gonçalves é fundador do DeepCRM. Começou vendendo pão na rua, virou programador autodidata e construiu startups do zero — incluindo um software para clínicas que foi de 0 a 550 clientes. Mentor de founders, acredita que sem processo comercial não existe crescimento. Escreve sobre vendas, CRM e o que realmente funciona pra pequenas empresas saírem da planilha.